Domingo, 30 de Maio de 2010
Cair no vazio
A arte de mandar alguém embora em 13 anos
Quinta-feira, 28 de Janeiro de 2010
Beijo de despedida
Mas agora não consegue odiá-lo, não consegue sequer mostrar-lhe mágoa, rancor, raiva. Porque já não os sente. Não consegue ficar indiferente à sua presença. Porque ele não lhe é indiferente, apesar de estar sempre a trabalhar os sentimentos, para que a sua presença não a deixe descompensada e frágil emocionalmente. Não consegue fingir que não o vê. Porque vê-o sempre, mesmo ao longe, mesmo em passagem, mesmo que não esteja a procurá-lo.
Vê-o ao longe e fica a ver se ele está bem. Vê-o ao perto e sofre em silêncio quando ele finge que não a vê. Vê-o e gosta de o ver, de sabê-lo bem. Não quer aproximar-se demasiado, para não ser enxotada, como se faz às moscas e aos animais não desejados. E vive a angústia de querer falar-lhe e de o sentir distante, mesmo na sua presença. Não sabe o que fazer, com o medo de que, o que fizer, ele se afaste e a ignore. Já sentiu isso tantas vezes. E já lhe disse isso mesmo outras tantas. De nada lhe tem servido falar-lhe e dizer-lhe que não gosta de se sentir ignorada por ele. Ele continua a afirmar que não faz isso, bem pelo contrário, que tenta resguardar-se, porque a presença dela ainda mexe com ele e que não é de ferro e que continua a adorá-la como no dia em que se encontraram na casa dela.
As palavras valem mais quando acompanhadas por acções consonantes. As palavras são meras manifestações das intensões, mas as acções, aquilo que fazemos, caracteriza muito melhor o que pensamos do que o que manifestamos verbalmente. Ele diz ainda adorá-la e diz sentir-se vulnerável com a sua presença, mas, no entanto, mostra-se distante e imperturbável.
Ela sabe e sente que o ignorar e o não manifestar a presença doem mais do que manifestações de desprezo. Já tentou usar o mesmo veneno, mas isso apenas a mata a ela, só em pensar que ele poderá ficar magoado por ser menos bem recebido por ela.
Ainda recordava o sabor, o toque, o cheiro e o som do primeiro beijo. Como será um beijo de despedida? Terá o mesmo sabor?
Sexta-feira, 2 de Outubro de 2009
Still
Segunda-feira, 28 de Setembro de 2009
A memória de um beijo
Não dá para acentuar palavras
"Alguma vez recebeste mensagens escritas? Não dá para acentuar palavras, mas dá para dizer que te Adoro. Montão de beijos."
E de facto, as palavras vinham sem acentos, mas era possível brincar com as maiúsculas. Tremeu por dentro. Gelou. E quando, de novo, o sangue voltou a circular pelas veias e artérias e capilares, os neurónios decretaram em uníssono na cabeça: vai mesmo embora, vai embora para sempre. E o coração voltou a parar, com a certeza de aquela mensagem parecer ser uma manifestção de um afecto maior, mas que era afinal uma carta de despedida.
Sexta-feira, 25 de Setembro de 2009
Geometria dos afectos - linhas paralelas I
- Doer?
- Sim, a saudade dói. Dói no peito, mesmo. Dói na pele, na alma. O corpo parece querer deixar de respirar, de andar, de comer, de pensar.
- Hum...
- Já morri por dentro assim, de saudade... por tua causa.
- Hum...
- Pensas que sou de ferro?!
- De ferro, talvez não, mas de gelo, talvez sim. Porque não me ligas mesmo nada. E mentes, quando dizes que estás sempre disponível para mim. E as vezes que me viras a cara e finges que não me vês, quando eu sei que me vês e sei que estás a fugir de mim?
- Já te disse que não sou de ferro, é um escudo, tens de ter um escudo... é uma capa, não sabes como estou por dentro.
- A saudade dói, já te tinha dito? Desculpa, mas não consigo deitar pessoas fora, na minha vida, deveria, mas não consigo. Lamento, mas não consigo deitar-te fora, por mais que queira.
- Também não faço isso.
- Então fala comigo. Fala sempre comigo.
E ela foi de novo embora, a acreditar, qual criança, que iriam ser amigos para sempre. Sempre lado a lado. Tal como as linhas paralelas que caminham próximas sem jamais se tocarem. Só precisavam de redefinir a distância a manter entre si."